Graviola fruto suspenso, com algumas folhas Graviola fruto suspenso, com algumas folhas

Graviola - o fruto que combate e previne diversos problemas de saúde

A Graviola (annona muricata L.), também conhecida por guanabano, é um fruto muito comum nos países sul-americanos, nomeadamente no Peru e Brasil. Tem sido usado desde há séculos por tribos indígenas no combate e prevenção de diversas maleitas. Por exemplo, nos Andes Peruanos usam uma infusão das folhas para combater o catarro, e na Amazónia peruana para diabetes, como sedativo e anti-espasmódico.

Pertence à família das anonáceas, sendo por vezes confundida com a anona (annona cherimola Mill.). As principais diferenças entre a graviola e a anona estão na forma e sabor, pois as suas características nutricionais são equivalentes. A graviola é maior, podendo pesar cerca de dois quilos. É coberta de pequenos picos e a sua polpa é mais ácida. Em comum têm a forma ovalada, a casca verde e sementes pretas envolvidas numa polpa branca. Cerca de 100 gramas de graviola fornecem em média 60 calorias, 25 mg de cálcio, 28 mg de fósforo e 26 mg de vitamina C.

Na graviola tudo se aproveita, desde as flores, folhas, fruto e sementes, até à raiz. A infusão das folhas da graviola é usada popularmente como digestivo, para problemas de fígado, depressão, hipertensão, para combater insónias e enxaquecas. As flores podem ser usadas contra o catarro e as suas sementes pretas podem ser esmagadas e usadas como vermífugo. O consumo do fruto é recomendado em caso de diabetes, prisão de ventre, febre e obesidade. A polpa da fruta pode ser um pouco ácida, por isso pode ser usada, por exemplo, em batidos, sobremesas e gelados.

Apesar de não se poder considerar um produto milagroso, são também promissoras as supostas propriedades anticancerígenas da graviola. Não obstante já existirem estudos científicos que mostram alguma da eficácia da graviola no combate de tumores, alguns desses estudos foram realizados com substâncias isoladas da graviola ou testados em animais, o que nem sempre se pode extrapolar facilmente para o efeito do produto em humanos.

De qualquer forma, algumas das substâncias químicas das folhas de graviola parecem ser eficazes na inibição de algumas células cancerígenas. Por exemplo, os estudos "Muricoreacin and murihexocin C, mono-tetrahydrofuran acetogenins, from the leaves of Annona muricata" [1] ou "Annonaceous acetogenins: recent progress" [2], atestam esse facto. Um outro estudo de 2012, levado a cabo por cientistas do Department of Biochemistry and Molecular Biology, de Omaha (EUA) [3], apresenta também bons resultados do uso de extrato de graviola em casos de cancro do pâncreas. As experiências mostraram inibição das propriedades tumorigénicas das células desse tipo de cancro.

O consumo de graviola deve ser evitado por pessoas com tensão arterial baixa, pois tem propriedades hipotensoras. Quem tome medicação contra a hipertensão deve aconselhar-se com o médico, pois pode ser necessário ajustar a dose de medicação se tomar regularmente chá ou extrato de graviola. As grávidas também devem evitar consumir grandes doses de graviola, pois pode estimular contrações uterinas.

No mercado português, a graviola fresca é difícil de encontrar, por ser um fruto tropical e o seu sabor um pouco ácido não ser tão apreciado. Mas se encontrar o fruto, pode colocar as suas sementes num vaso e esperar que a árvore cresça - o que normalmente é fácil, desde que proteja a planta do frio. No entanto, a forma mais fácil de ter acesso à graviola é adquirindo as suas folhas secas, inteiras ou moídas, que pode tomar em infusão ou, no caso da graviola em pó, juntar também em sumos ou batidos. Pode tomar 2 a 3 chávenas da infusão diariamente e usufruir das suas propriedades e do seu agradável sabor, que lembra o chá verde.

Tiras de folha de Graviola

Folhas de graviola, adequadas para infusão.

Circulo com pó de folhas de graviola Graviola em pó. Adequada para infusões mais fortes ou consumir misturada com outros alimentos - ex., polvilhar saladas, arroz, batidos, etc.

 

Referências:

[1] http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9747542

[2] http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10096871

[3] http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22475682

 



Inserido em: 2013-02-12 Última actualização: 2013-05-31

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Autores > Redatores > Cristina Rodrigues