Alguns exemplos de algas Alguns exemplos de algas

O poder das algas na alimentação

Iguaria bem conhecida e apreciada em alguns países da Ásia, desde há mais de 200 anos, as algas são também muito usadas na indústria alimentar, como aditivos, para melhorar as características dos alimentos. São cada vez mais usadas pela indústria farmacêutica e cosmética.
Embora as algas não sejam, ainda, um alimento muito consumido em Portugal, por não fazer parte da nossa tradição alimentar, o seu consumo tem aumentado e estas fazem parte da história da indústria portuguesa. Somos um país com uma costa de algumas centenas de quilómetros, riquíssima em diversas espécies de algas. A produção de ágar-ágar em Portugal chegou a ter expressão internacional, devido à abundância e qualidade das algas portuguesas, numa época em que a II Guerra Mundial impossibilitou a produção de ágar-ágar japonês.

Utilidade das algas

A atenção sobre as algas tem aumentado pela sua extraordinária constituição nutricional e pela presença de elementos bioativos capazes de ter papel promotor da saúde. Com o crescente interesse nos alimentos funcionais, as algas têm-se revelado potenciais fornecedores de substâncias com inúmeras capacidades benéficas à saúde e o seu consumo, como parte da alimentação quotidiana, é cada vez mais evidente, em regiões onde são consideradas alimento exótico, como o ocidente.
Existem mais de 5000 espécies de algas, desde microscópicas até algas que podem atingir 60 metros de comprimento, destas, menos de 20 constituem 90% das que são exploradas nas diversas áreas em que são utilizadas, desde a alimentação, indústria alimentar (aditivos), indústria farmacêutica, cosmética, como fertilizantes, etc.
Na indústria alimentar, os compostos mais usados são os ficocolóides, que são polissacáridos, que apesar de não apresentarem sabor doce, cheiro ou cor, têm importante efeito na textura dos alimentos, aumentando características como a viscosidade, resistência e consistência, permitindo substituir a gordura em produtos lácteos, patês, molhos. São usados como aditivos espessantes, gelificantes, estabilizantes. Dos ficocolóides mais usados na indústria alimentar temos o ágar-ágar (aditivo E406), a carragenana (E407) e os alginatos.
O ágar-ágar tem um nome de origem malaia e significa alga vermelha, é extraído industrialmente de duas espécies muito abundantes na costa portuguesa. Podemos encontrá-lo em geleias, gomas, pastilhas, produtos lácteos, sopas, conservas de carne, caramelos, etc. É também muito usado para preparar gelatinas vegetais e variadas sobremesas. Tem também elevada importância em estudos de biotecnologia.
As carragenanas são muito usadas na indústria alimentar e na cosmética. Em Portugal são colhidas à mão na zona do litoral Vianense e exportadas para a indústria cosmética.
Os alginatos são usados com laxantes, e adicionados a compressas para queimaduras, por facilitarem a cicatrização e contribuem para uma cura menos dolorosa. São usados com agentes de neutralização de certos metais pesados em situação de intoxicação. A sua característica de estabilidade a variações de pH e salinidade confere-lhes utilidade na cosmética e na produção de medicamentos.

As algas na saúde

São já muito estudados os potenciais efeitos promotores da saúde dos compostos que fazem parte das algas, desde a sua imensa capacidade antioxidante, até às características antitumorais, antimicrobianas ou antifúngicas. A versatilidade das funções das algas deriva dos seus abundantes metabolitos bioativos, que incluem compostos fenólicos, esteróis, aminoácidos, prostaglandinas, polissacáridos sulfatados, etc., todos compostos com atividade comprovada como benéfica para a saúde. As carragenanas contribuem para a redução do colesterol, possuem atividade antiviral e anti tumoral, a carragenana de sódio é útil no tratamento das úlceras gástricas, reduzindo a acidez do estômago. As atividades antioxidantes, foram identificadas em diversas algas marinhas, o que tem despertado cada vez mais o interesse para o seu consumo. Os polissacáridos sulfatados, constituintes das algas, possuem atividade antitrombótica, antimutagénica, anti-inflamatória, antimicrobiana e antiviral, incluindo a infeção HIV, herpes e vírus da hepatite (as carragenanas são capazes de inibir de 80% a 100% o desenvolvimento do vírus herpes simplex e a infeção por HPV).
Estas características tão especiais das algas devem-se ao ambiente marinho, que por ser tão dinâmico e instável, obriga a uma notável capacidade de adaptação, pelas variações bruscas no ambiente. Por este motivo os elementos bioativos das algas são vistos como tendo um grande potencial no desenvolvimento de nutracêuticos e alimentos medicinais.

Qualidades nutricionais

Também ao nível dos benefícios nutricionais as algas têm sido amplamente estudadas, e em comparação com as plantas terrestres e alimentos de origem animal apresentam um perfil muito mais rico em diversos nutrientes. As algas são muito ricas em fibra dietética, representando benefícios ao nível digestivo e de equilíbrio do colesterol no sangue, ajudando no controlo do apetite pelo seu carácter saciante.
As algas são um alimento equilibrado, são pobres em gordura, mas com interessante valor de ácidos gordos ómega-3 (DHA) que interferem beneficamente na saúde cardíaca, são também ricas em aminoácidos essenciais, sendo as suas proteínas de elevada digestibilidade.
Cerca de 20% a 30% do seu peso é constituído por minerais, em especial ferro, iodo, cálcio, fósforo, magnésio e potássio e o seu elevado valor em vitamina C facilita absorção do ferro existente.
Ora, este tesouro da natureza com tantos benefícios para saúde só pode ser uma boa escolha alimentar. As algas possuem um excelente perfil nutricional e as descobertas da ciência dizem-nos que são um potente alimento funcional, o que faz delas uma incontornável opção para a promoção de uma vida mais saudável e até como complemento na recuperação em situações de doença.
A sua versatilidade na cozinha também facilita a sua utilização. Introduzir as algas numa alimentação variada será com certeza uma escolha inteligente.

 

Referências:

- Ibañez E, Cifuentes A. Benefits of using algae as natural sources of functional ingredients. Institute of Food Science Research (CIAL, CSIC-UAM), Madrid, Spain. J Sci Food Agric. 2013 Mar. Epub 2013 Jan 22;

- Mišurcová L, Škrovánková S, Samek D, Ambrožová J, Machů L. Health benefits of algal polysaccharides in human nutrition. Department of Food Technology and Microbiology, Faculty of Technology, Tomas Bata University in Zlín, Zlín, Czech Republic. Adv Food Nutr Res. 2012;

- Jin-Ching Lee, Ming-Feng Hou,Hsueh-Wei Chang. Marine algal natural products with anti-oxidative, anti-inflammatory, and anti-cancer properties. Cancer Cell International, 2013;

- Rajapakse N, Kim SK. Nutritional and digestive health benefits of seaweed. Faculty of Agriculture, Department of Food Science and Technology, University of Peradeniya, Peradeniya, Sri Lanka. Adv Food Nutr Res. 2011;

- Pereira, Leonel. Algas – os seus usos na agricultura. IMAR – Departamento de Ciências da Vida, Universidade de Coimbra. Outubro 2010;

- Pereira, Leonel. As Algas Marinhas e Respetivas Utilidades. Departamento de Botânica;

- Universidade de Coimbra, 2008. - http://br.monografias.com/trabalhos913/algas-marinhas-utilidades/algas-marinhas-utilidades.pdf



Inserido em: 2013.08.06 Última actualização: 2013.09.01

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Autores > Cláudia Maranhoto
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