Flor de carqueja Flor de carqueja

Carqueja - A planta que cura todos os males

A infusão das flores da carqueja cura todas as maleitas, assim a reconhece a sabedoria popular. Conhecida como erva-carqueja, carqueja, flor-de-carqueija, querqueijeira ou carqueija, pertence à flora portuguesa, espanhola e norte-africana (Marrocos), e é muito comum em zonas montanhosas, como as Serras da Estrela e do Açor.

Usos da carqueja

É uma planta muito conhecida quer pela variedade da sua utilização, quer pela sua abundância.

Para além do seu uso medicinal, esta planta foi, no passado, muito usada como forragem para o gado, principalmente durante o inverno, por tolerar temperaturas baixas e como combustível para fornos de pão, por ser altamente inflamável. Também são conhecidos os seus usos aromáticos, pelos seus óleos.

As suas flores são comestíveis, podem ser usadas em saladas e é comum na zona de Trás-os-Montes e Alto Douro o tradicional arroz de carqueja.

Uso medicinal

Tradicionalmente a carqueja é usada pela sua ação digestiva, de estimulante hepático, pelo seu efeito diurético, nos estados gripais e constipações.

Geralmente é usada toda a planta, embora as flores sejam a parte mais utilizada, especialmente em infusões. Também costuma ser usada no tratamento de feridas sob a forma de cataplasma.

Na verdade, a infusão das flores é usada popularmente como “Chá para todos os males” e para o mal-estar geral.

A lista dos seus efeitos terapêuticos é vasta, mas a sua composição rica em compostos fenólicos, como o ácido vanílico, ácido cafeico, ácido clorogénico, ácido siríngico, ácido p-cumarínico, ácido ferúlico, ácido elágico e quercetina, conferem-lhe propriedades anti-inflamatórias.

As suas raízes fervidas em água podem ser aplicadas dermatologicamente no tratamento da acne. A infusão das flores é também usada como digestivo, analgésico gástrico, anti-inflamatório intestinal, e pela sua ação hipoglicemiante como adjuvante no tratamento na diabetes tipo 2. Promove o bom funcionamento do sistema circulatório, sendo vasodilatadora e depurativa.

É altamente reconhecida pela sua ação no trato respiratório, sendo a infusão de flores usada nas gripes, bronquites, tosse, irritações da garganta, anginas e sinusite.

Ainda lhe são atribuídos benefícios a nível do sistema nervoso, sendo usadas como sedativo. Também pode ser usada como tónico geral, contra o cansaço físico, com efeito estimulante.

Poder antioxidante

Mais uma vez o poder das plantas contra os efeitos dos radicais livres. A carqueja possui elevado teor de antioxidantes, o que permite confirmar o seu efeito benéfico na saúde, especialmente no que respeita à sua ação antidiabética, no seu efeito hepato-protetor, como anti-inflamatória, efeito profilático e terapêutico na doença de Alzheimer e efeito antimicrobiano.

Precauções

Apesar dos efeitos referidos, as plantas podem ter efeitos tóxicos se consumidos em doses exageradas. A ideia de que o que é natural não faz mal, está errada e deve haver prudência no uso das plantas com intenção terapêutica. Não existem no entanto informações sobre a toxicidade desta planta para pequenas doses. Recomenda-se o consumo de três chávenas por dia, por períodos curtos e sem prolongamento do tratamento.

Como referido, esta planta tem efeito hipoglicemiante, pelo que, pessoas com diabetes medicadas, devem aconselhar-se com o seu médico sobre a possibilidade de toma do chá.

Grávidas e mulheres a amamentar não devem tomar o chá.

 

Referências:

- Fernandes, Joana C. Determinação da atividade anti-inflamatória de extratos metanólicos de Pterospartum tridentatum. Universidade da Beira Interior, Ciências da Saúde, Covilhã, junho de 2012.

- Filomena C. Neto , Mariana Tomé Falcato Simões. As Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares da Sub – região do Alto Tâmega e Barroso. DRAP Norte - Ministério da Agricultura Desenvolvimento Rural e Pescas.

- Martins, Joana Carmo. Erva Carqueja – Um chá para todos os males. Universidade Fernando Pessoa , Faculdade de Ciências da Saúde. Porto, 2012.

- Neves, José Manuel; Matos, Carla M.;Moutinho, Carla G.;Gomes, Lígia Rebelo. Usos populares de plantas medicinais da flora transmontana. Edições Universidade Fernando Pessoa. Revista da Faculdade de Ciências da Saúde. Porto. ISSN 1646-0480. 5 (2008) 226-235.



Inserido em: 2013.09.09 Última actualização: 2013.09.10

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Autores > Cláudia Maranhoto
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